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Universo da margarina

Gordura interesterificada: o que diz a ciência

Os ácidos graxos trans (AGT) são resultantes do processo de desodorização dos óleos vegetais e de hidrogenação parcial de óleos vegetais no qual, por meio da adição de átomos de hidrogênio, tem-se a modificação da estrutura química da molécula, formando uma gordura sólida. No entanto, a fim de reduzir ao máximo (ou minimizar) as concentrações de trans de Qualy, o processo de hidrogenação parcial foi substituído pela hidrogenação total em algumas categorias.

Esse processo, no entanto, produz uma gordura sólida e quebradiça. Para se atingir a característica cremosa desejada, após a hidrogenação total, é realizada a interesterificação1. Essa nova alternativa leva os pesquisadores a buscar informações sobre os impactos que ela poderia causar a longo prazo.

A interesterificação costuma ser realizada entre uma gordura de alto ponto de fusão (por exemplo: óleo vegetal totalmente hidrogenado) e um óleo líquido (como óleo de soja), resultando na formação de triglicerídeos com propriedades únicas para uso em formulações de margarina (plasticidade e textura).

De acordo com a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos – TACO, quando comparamos margarina e manteiga, pensando em saúde cardiovascular, observamos que a composição nutricional das margarinas com óleo interesterificado oferece:

  • Maior quantidade de gordura poli-insaturada (27,6g/100g vs 1,2g/100g na manteiga)
  • Menor quantidade de saturada (21,9g/100g vs 49,2g/100g na manteiga)
  • Menor quantidade de gordura trans (0,09/100g vs 2,5g/100g na manteiga)2.

Até o presente momento, a Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que, não há evidências científicas que permitam concluir o efeito do processo de interesterificação das gorduras sobre parâmetros metabólicos e de desenvolvimento da aterosclerose e desfecho cardiovascular3.

Referências

1

Norizzah, A. R.; Chong, C. L.; Cheow, C. S.; Zaliha, O.; Effects of chemical interesterification on physicochemical properties of palm stearin and palm kernel olein blends. Food Chem. 2004, 86, 229

2

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação – NEPA/Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Tabela brasileira de composição de alimentos/NEPA-UNICAMP. Versão II. 2. ed. Campinas, SP: NEPAUNICAMP,2006. Disponível em: www.unicamp.br/nepa.25

3

Izar et al. Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular – 2021. Sociedade Brasileira de cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2021; 116(1):160-212.

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